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	<title>Categoria: Livro - Marí­lia Barga</title>
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		<title>Prólogo &#8211; O Corvo da Catedral</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marília Barga]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 10 Jul 2018 00:26:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Livro]]></category>
		<category><![CDATA[ocorvodacatedral]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Passinhos rápidos, pequenos, mas ágeis, percorriam um caminho de neblina entre os becos da cidadezinha iluminada a sebo. Um homem [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;">Passinhos rápidos, pequenos, mas ágeis, percorriam um caminho de neblina entre os becos da cidadezinha iluminada a sebo. Um homem pequeno, trajado na fina moda masculina da época, cartola longa, bigode e costeleta simetricamente aparados, casaca espessa, negra, de alta costura, cobria o colete acinzentado deixando os babados da casimira branca a mostra.  A calça larga e as botas de montaria sujas de barro completavam o perfil do furtivo homenzinho.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;">Percorria o caminho com um ar irrequieto. Apoiou-se na parede da catedral após ter torcido o pé ao escorregar em uma poça d’água, tomava fôlego e pela boca delgada saiam névoas, os olhos azuis escuros se moviam rapidamente de um lado para outro procurando algo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;">Ouviu-se um barulho e a pele já branca se empalideceu, passos pesados se dirigiam até ele e então previu o seu fim. O pé doía demais para se mover a velocidade suficiente de escapar, e esperou o desconhecido. Um homem surgia em meio às névoas, escondido pela noite em suas roupas e máscaras negras:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;">&#8211; Passa o dinheiro, agora!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;">O moço encurralado tirou as moedas prateadas do bolso e as entregou:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;">&#8211; O relógio também!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;">O pequeno homem tremia, e retirou o relógio de bolso da casaca.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;">&#8211; Agora as botas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;">O pequeno homem obedeceu mais uma vez, deixando a mostra os delicados pés parcamente escondidos sobre a meia de seda. O assaltante avaliou detidamente a vítima, talvez a procura de algo de valor que também pudesse ser roubado, mas algo em seu olhar parecia enxergar além.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;">&#8211; A cartola! Muito fina esta cartola! Dê-me também!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;">O jovenzinho fez que não com a cabeça, segurou a cartola com as duas mãos delicadas, obstinado a não deixá-la ser levada de sua cabeça. Agarrava com todas as forças da qual dispunha, embora um jovem magricela assim não aparentasse muita força. Repetia o gesto negativo enquanto a segurava, e o ladrão passou a golpeá-lo no estômago.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;">O mocinho se encolhia enquanto mantinha a cartola em sua cabeça e os gemidos de dor se intensificaram concomitantes a um terrível grasnado que surgia.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;">Um corvo saído das sombras, ou do inferno, foi em direção ao assaltante, grasnava e o golpeava, grasnava e o golpeava, não exatamente em uma mesma ordem. O pássaro não desistiu até que o ladrão se afastasse dali com um fino filete de sangue causado pelas ferozes bicadas que dera em sua cabeça.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;">O rapaz continuou pregado a parede, chorava baixinho, encolhido pela dor dos golpes e da perna machucada. Levantou a cabeça e em meio a noite escura pode ver os intensos olhos amarelos do corvo. O corvo grasnou mais uma vez em despedida e então alçou voo para o alto da catedral.</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: 14pt;"><a href="http://mariliabarga.com.br/voce-aceita-um-cha-o-corvo-da-catedral/">Leia o capítulo anterior aqui</a></span></p>
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		<title>Você aceita um chá? &#8211; O Corvo da Catedral</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marília Barga]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 25 Jun 2018 02:31:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Livro]]></category>
		<category><![CDATA[o corvo da catedral]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por debaixo das finas rendas de meu chapéu graciosamente arranjado com penas escuras de avestruz, ninguém suspeitaria da minha profissão [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-731 aligncenter" src="https://mariliabarga.com.br/wp-content/uploads/2018/06/priest-eye.jpg" alt="" width="571" height="571" srcset="https://mariliabarga.com.br/wp-content/uploads/2018/06/priest-eye.jpg 1000w, https://mariliabarga.com.br/wp-content/uploads/2018/06/priest-eye-300x300.jpg 300w, https://mariliabarga.com.br/wp-content/uploads/2018/06/priest-eye-100x100.jpg 100w, https://mariliabarga.com.br/wp-content/uploads/2018/06/priest-eye-600x600.jpg 600w, https://mariliabarga.com.br/wp-content/uploads/2018/06/priest-eye-150x150.jpg 150w, https://mariliabarga.com.br/wp-content/uploads/2018/06/priest-eye-768x768.jpg 768w" sizes="(max-width: 571px) 100vw, 571px" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;">Por debaixo das finas rendas de meu chapéu graciosamente arranjado com penas escuras de avestruz, ninguém suspeitaria da minha profissão nesta cidade, nem sobre como ocupava meus dias ou com quem compartilhava meu leito na madrugada. Os dias eram voláteis como uma brisa e sentia a frivolidades humanas no intimo do meu ser, por vezes de modo terrivelmente desagradável. As sedas de luxo cobriam minha vaidade assim como o dinheiro custeava minhas frustrações.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;">Aos dezesseis anos declarei total autonomia sobre meu destino, meu corpo e principalmente: meu futuro. Com diversos caminhos disponíveis, ofertas ditas irrecusáveis e opções sonhadas por muitas outras, declarei-me cafetina, seguindo os passos daquela que um dia foi a minha mãe. Assim me aventurei pelos prazeres da luxúria e o desprazer do amor, a alegria da ficção e o desencanto lento da realidade, as verdades compartilhadas aos sussurros provindas das mentiras cotidianas sustentadas pela displicência humana.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;">&#8211; Ora, distinta madame, mas se tinhas a opção, por que diabos se tornou uma rameira?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;">Bem, meu caríssimo barão, meu cortês rapazote, <em>mon seigneur</em>, é que adoraria ser mais do que um obediente bibelô. Essa foi a vida que conheci desde pequena e da qual me apeguei. Veja bem, nesta época que me encontro, maior parte do valor da mulher é baseado em seus dotes físicos, comprada e vendida como uma bela, ou podre, maçã no mercado. Vi diversas meninas se casando com senhores enrugados que nunca viram antes, virgindades sendo negociadas em salões da alta sociedade. Entre ser negociada deste modo, ou eu cobrar meu justo preço, optei pela segunda opção. Homens me pagavam em troca de algo que queriam, que incluía muito mais do que sutilezas sexuais, e eu vendia o que podia oferecer a eles. No entanto, por hora, não me atentarei a essa história, hoje é outra que venho lhe contar.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;">Ainda para sanar qualquer dúvida de um curioso resignado, não tenho direito a voto e pouco teria sobre o meu corpo, se não me transformasse no que me tornei. Com meus dedos já um pouco enrugados, consigo tocar lindamente em um cravo, teço e bordo delicadas peças de roupas, conheço as artes culinárias de diferentes regiões do mundo, fui lapidada com a mais esmerada educação. Das artes femininas, aprendi todas, o que mudou em mim foi querer deixar essas sutilezas de lado para me tornar algo que a natureza não me permitiu ser neste tempo, mas acredito que em épocas posteriores este retrocesso ainda será reavaliado e proscrito.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;">Lembro-me de quando era jovem, estonteante, embora a vida ainda não tenha levado de mim a beleza na qual convivi, e seduzi, por vários anos. Naquele tempo contava com vinte primaveras e na enfadonha realidade da casa de diversões Seda Vermelha, fizemos uma aposta. Sim, uma aposta desnaturada que traria grande vergonha ao nosso jeito de ser já tão desavergonhado por natureza.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;">Marie, Caty e eu decidimos que seria conveniente apostar a virgindade do mais novo pároco da cidade, sem nenhum conhecimento ou pretensão da parte dele. O padre era odiável de tão belo, formidável eu diria, o que nos intrigava ainda mais sobre quais perjúrios fizeram um homem que poderia desfrutar de tudo decidir não ter absolutamente nada e viver na mais exilada castração. Erámos esbeltas, e usávamos nossa beleza para adquirir sustento, conforto e luxo, já aquele homem, garboso e culto, gastava sua perfeição em confinamentos e orações.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;">As moças se aviltavam nas missas proferidas pelo jovem, que deveria contar com não mais do que 25 anos, e se amontoavam em cochichos sobre sua figura. Nestes cochichos, lá estávamos nós, entre as finas damas da região, pois tamanha era nossa cultura, graça e atuação que ninguém jamais suspeitaria de nossa odiosa profissão. Encerradas as línguas fomos até a igreja sem nenhuma pretensão com Deus para conferir se os mexericos eram reais. E eram!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;">Assim, entre um sorriso malicioso e um olhar felino, apostamos que aquela que conseguisse seduzir o padre e tirar a sua castidade ganharia uma boa fortuna das demais. A prova do hediondo pecado seria uma confissão de amor escrita pelo próprio, a qual seria posteriormente conferida em seu livro de orações. Chamaríamos um grafólogo se fosse preciso, pois não nos detínhamos em nossas pirraças.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;">Assim foi feito. Por meses tentamos em vão seduzir padre James, como era conhecido, mas nenhuma de nós parecia obter avanços diante da fé irrefutável do homem. Achei que Marie fosse conseguir, pois seus cabelos dourados e olhos do mais puro azul certamente a confundiriam com um anjo, o que encantaria o padre, na minha estreita visão, no entanto me enganei.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;">O curioso é que nesse mesmo período da aposta do qual citei, uma jovem que não reparamos se tornou uma velha lenda da cidade e mais tarde, após trágicos acontecimentos, ficou conhecida como a viúva ceifeira. Nunca havia tomado conhecimento daquela jovem até descobrirmos, por meios duvidosos, que aquela mulher simples perante a nossa radiante beleza, havia conquistado o coração do jovem pároco e o levado para o inferno.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;">Não sei até que ponto a história se cruza entre boatos, misticismos e fatos reais, mas se quiser ouvir essa fofoca de uma aposentada rameira, continue aqui e contarei tudo o que soube sobre essa medonha história. Se não quiser, apenas deixe uma simples senhora ocupar seus últimos dias contando histórias da carochinha e desfrutar da fortuna que deu corpo e alma para conseguir.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;">Como diria aos meus antigos clientes, aprecie a vida e a minha companhia como uma taça de vinho que beberica lentamente, pois meu gosto começa doce, mas na despedida, terá de lidar com o amargor da minha lembrança.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;">Óh céus, falando em bebidas, onde estão meus modos?! Perdoe minha falta de gentileza, você aceita um chá?</span></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://mariliabarga.com.br/prologo-o-corvo-da-catedral/"><span style="font-size: 14pt;">Leia o próximo capítulo aqui</span></a></p>
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